sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

5 Coisas Para um Campograndense Fazer Antes de Morrer

É o fim! Ele anda à espreita muito antes da China pensar em se tornar uma grande potência, antes de Hitler declarar guerra ao mundo, antes de Moisés resgatar os hebreus no Egito ou do Curintia ganhar uma Libertadores (em espera).

Desde que Nostradamus vomitou suas profecias nos bares franceses de outrora, pessoas sem nada pra fazer estudiosas do mundo todo tentam buscar explicações para destruir esse amontoado de matéria no buraco da via láctea.

Desenhos nas paredes, hieróglifos nas pirâmides do Egito, papiros reciclados, escritos em Machu Picchu, guerras e pestilências, Michel Teló, todas são provas irrefutáveis na boca das pessoas mais entendidas no assunto de que o fim se aproxima.

Anunciantes do fim estampam os tabloides que aterrorizam muita gente. Muitos tiros saíram pela culatra, é verdade, outros, de tão esdrúxulos, nem saíram. O mais alardeado agora é a profecia dos Maias. Bom, nessa eu até vejo um pouco de fundamento, afinal, eles começaram a destruição aqui pelo Rio Grande do Norte junto com os Alves.

Como a única história dos Maias que conheço foi escrita por Eça de Queiroz, eu decidi fazer algo diferente de tentar explicar o significado de 2012. Sabe aquela eterna dúvida: O que você gostaria de fazer antes de morrer? Tomei-a como um doente terminal e preparei uma lista de coisas que um típico campograndense precisa realizar antes desse final trágico ainda por vir. Ainda dá tempo. Por favor, morra, mas não sem antes fazer isso:


Visite a Serra: Como é que você já foi um bilhão de vezes no Lima e ainda não visitou nossas serras? João do vale ou Cuó? Tanto faz. Não é preciso chegar no cume ou voar de asa-delta de lá, basta subir até um ponto que dê para ver o panorama da cidade. Contemple a vista e se arrependa dos seus pecados. Ligue pra Deus, você estará mais próximo Dele por lá. Procure alguém que faça a expedição ou organize você mesmo, pois antes de morrer você precisa sentir o ar rarefeito das alturas montanhosas das nossas serras.


Tome uma na Via Costeira:
Perceba que a frase está no singular, ou seja, não é preciso beber até o mundo girar antes do tempo, basta aquele velho copo a criar peixes para constar que você passou por lá. E daí que nunca houve uma praia de verdade nas redondezas, a água que você precisa é ardente e tem em fartura nos estabelecimentos lá presentes. Não importa se você não bebe, é evangélico, budista, mulçumano... encoste numa mesa pelos arredores, de preferência com os amigos, e circule durante cinco minutos (no mínimo, menos não vale) com o copo na mão. Se for menor de idade a gente perdoa essa, mas não os próximos, acompanhe:


Coma um Peixe no Morcego: Ainda não experimentou essa iguaria do médio oeste potiguar? Toda população de Caraúbas já experimentou e você que se diz campograndense ainda nem aí pro mamífero voador que nomeia aquela linda comunidade? É o fim mesmo! Vá lá criatura, não perca mais tempo. Note que o enunciado diz: coma um peixe NO Morcego e não DO Morcego, ou seja, você pode levar de casa, seja frito, cozido, cru, não importa, desde que coma lá, sacas? O que vale é dizer que você já comeu um peixe no morcego, mesmo que não tenha sido pescado em águas morceguenses. Então faça-me um favor, pegue o biquíni e corra para dar uns mergulhos no açude para refrescar. E não esqueça de comer ao menos uma piaba por lá, minha criança.


Coma um Salgado de Valdecir: Por falar em comer, aqui vai outra para categoria gastronômica. Essa figura já faz parte do imaginário popular da cidade. Escrevi sobre esse camarada com apelido de região anatômica nada publicável aqui, vale a leitura. Como um personagem participante da história de muitos na cidade, provavelmente ele fez parte da sua, se não, você não pode morrer sem que faça e deixar de experimentar um dos oleosos deliciosos salgados de Valdecir, principalmente se for uma tapioca, feitas por minha mãe (vou começar a cobrar em coxinha a Valdecir pelo marketing).  


Venha para Festa da Padroeira: “Ah, mas eu nem sou católico.” Esquece isso bestão. Quem é que está falando da programação religiosa? Isso foi no tempo dos nossos avós. Eu tô falando é de passear na cidade, pricipalmente nas praças, à noite. De paquerar as meninas que estão indo pra novena enquanto aguarda a hora de ir pro clube chacoalhar o esqueleto ao som das ambíguas músicas de forró. Tô falando é de bebericar nos quatro cantos da cidade. De ficar até de madrugada na rua para ver a alvorada com as bandas de música. Você é do tempo em que campograndense se chamava augustoseveriano e nunca botou os pés pra fora de casa no mês de julho? Essa pode ser sua última oportunidade, afinal, é o último ano que teremos a festividade, lembra? Não haverá 2013. Então prepare-se para esse ano, e se for homem, dê uma olhada nesses manuais
sobre as mulheres que aparecem nesse período: (1)(2) .

Tal qual um índio de uma tribo qualquer que precisa realizar alguns rituais para ser considerado homem perante os demais, um verdadeiro campograndense só estará completo e pronto para morrer depois de realizado esses cinco passos. Você não é campograndense e ainda sim os realizou? Então você merece ser condecorado com o título de cidadão campograndense em cerimônia solene entregue pelas autoridades competentes. 



TODO campograndese gostaria de ver ainda uma porção de coisas, como a BR 110 revitalizada, uma educação de nível médio de qualidade e um melhor desenvolvimento econômico sem que este se baseie apenas em aposentadorias de idosos. Só para citar alguns. No entanto, esses são objetivos que precisam bem mais do que 12 meses para que sejam alcançados, por isso elenquei os cinco supramencionados como algo passível de se realizar, afinal, o que é realmente importante aparentemente morrerá com 2012, e se nos for dada uma nova chance eu espero que o próximo ano tenhamos algo pelo qual valha apena regozijar. E isso podemos começar agora, ainda em 2012.

Como diria meu amigo Érico, "é chicotada e tchau e acabou-se". O fim se aproxima, mais provavelmente desta página do que do mundo. Desculpem a demora para publicar algo. Um abraço a todos!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A Maior Conquista de 2011 Foi Minha



2011 findando, estamos há apenas dois dias de adentrarmos em um novo ânus ano. É sempre a mesma coisa. As chatas felicitações de natal (já passadas) e ano novo, às quais respondo apenas com um obrigado por não aprovar as festividades, então não estranhe se um dia me cumprimentar e não lhe desejar os votos também. Mas não corram ainda. Não falarei sobre isso hoje. Eu quero apenas chamar atenção para algo muito importante, que há tempos venho querendo fazer e, este ano, por fim, realizei.  

Além das mensagens de felicitações, há também as metas. Isso mesmo, as metas. Os objetivos subdivididos em pequenas porções, para que no final de cada ano se possa fazer um balanço geral e avaliá-lo como bom ou ruim. Dentre os famigerados alvos a serem perseguidos estão regimes, ô balança cruel, a organização financeira, ô economia cruel, a aquisição de alguns bens, ou divisão deles, e até mesmo, vejam só mais que desgraça alegria, a união deles no matrimônio. Ô vida cruel.

Ajudar o próximo não encabeça a lista de metas da maioria das pessoas. Isso quando aparecem entre elas. Inúmeras são as metas para o ano vindouro, mas a maioria se refere ao “eu próprio”. Quando algum alvo traçado envolve terceiro, na certa é uma meta para emplacar um relacionamento amoroso. E daí até o mar de promessas muitas calcinhas vermelhas são jogadas para Iemanjá, que agradece por ajudá-la a fazer a felicidade de Poseidon com as lingeries dos mais variados tipos.

As pessoas estão cada vez mais hedonistas. E não é à toa. Vivemos no mundo do primeiro eu, segundo eu, terceiro, hum..., vejamos, eu de novo. Vejo pessoas praguejando contra os quatro cantos dos céus porque “Deus não deu o meu carro novo”, “Deus não me deixou passar no vestibular”, “Deus isso...”, “Deus aquilo...”. Como se a culpa das coisas não darem certo fossem dele. Pensam apenas em si mesmas e olvidam o próximo. Sim, aquele a quem o único pedido para o ano novo foi que não faltasse o pão na mesa, não para ele, mas para os seus filhos, ou que seu irmão melhorasse da doença terrível que o aflige, ou conseguisse um emprego que lhe desse a dignidade de sustentar sua família.

Esse ano eu parei para pensar nisso. Pensei, pensei, pensei... Pensei tanto que cansei de pensar e comecei a agir. Comecei a participar como professor voluntário do curso Informática Cidadã, promovido pela Universidade Potiguar – UnP, idealizado por uma das pessoas mais brilhantes e generosas que já conheci, o professor Cláudio Márcio Campos de Mendonça. O projeto visa a inclusão digital de jovens de baixa-renda, o qual participei como aluno em 2006 e voltei esse ano como professor voluntário, dispendendo tempo e até mesmo meus parcos recursos financeiros para locomoção e alimentação.

Obtive outras conquistas no ano. Com muito esforço eu consegui comprar um notebook, que tanto facilitou minhas atividades, abolindo idas desgastantes às lan houses da vida. Comprei um violão novo que tanto almejava, extirpando os calos nos dedos. Completei a discografia de Bob Dylan, mais de 40 discos. Tá, isso foi sem importância, mas foi muito significante pra mim. Concluí dois estágios muito gratificantes, onde ampliei meu networking e fiz amizades que levarei para o resto da vida. Concluí a faculdade de Administração e passei no mestrado homônimo para 2012 na UFRN. Mas, sem dúvida, nenhuma dessas conquistas - quiçá equiparado o ingresso no mestrado - superou a participação como professor voluntário no curso Informática Cidadã.

No projeto eu tive benefícios, claro, pois pude aprimorar habilidades que me serão muito úteis no futuro para a profissão que cada vez mais tenho certeza que pretendo exercer, a de professor. No entanto, mais importante que tudo isso junto, foi ver a gratidão estampada nos olhares tímidos, mas curiosos, daqueles jovens, desbravando o que não teriam oportunidade com os próprios recursos. Adquirindo conhecimento que poderá e será útil nas suas vidas. E eu me via ali. De repente eu estou lá novamente, integrando um pedacinho minúsculo da história deles. E nessa hora, a sensação de ouvir pela primeira vez alguém trocar seu nome por “professor” é o momento em que fica estático, tentando discernir se aquela palavra foi usada para se referir a você mesmo. Mas você não responde no primeiro chamado, pois é preciso a certeza com a repetição daquele vocábulo, o mais belo do mundo nesse instante, para sair do transe e do sonho futuro que imaginou em apenas alguns segundos. O novo chamado lhe desperta ao mesmo tempo em que se torna o pagamento por todo esforço que fez para estar ali. E você não quer estar em mais nenhum outro lugar. Só ali. Bem ali.

É a retribuição que jamais terei vocabulário para descrever. É por isso que a maior conquista de 2011 foi minha, porque eu pude, mesmo que modesta e indiretamente, ajudar outros na trajetória para conquistarem as suas, e isso é algo único, de valor incomensurável pra mim. É verdade que talvez nunca mais se lembrem de mim, mas com certeza eu nunca os esquecerei.

E você, o que fez por outras pessoas em 2011? Ou melhor, o que fará por outras pessoas em 2012?

Conheça o Projeto Informática Cidadã:
Página Oficial: www.informaticacidada.org
Twitter: @infocidada (https://twitter.com/#!/infocidada)

domingo, 30 de outubro de 2011

A Receita da Felicidade



Ingredientes:

1 peito de frango
500 g de queijo mussarela fatiada
400 g de presunto fatiado
1 pacote médio de massa para lasanha (direto ao forno, sem cozimento prévio)
1 pote de requeijão cremoso
2 caldos de galinha (ou tempero completo sabor galinha)
2 copos de leite
1 caixa de creme de leite
2 colheres de farinha
3 colheres de manteiga
1 cebola média
Uma pitada de amor (nota do blogueiro)

O modo de preparo você encontra aqui.


Polly que me desculpe, mas hoje eu vou falar do meu primeiro amor. Sim, os ingredientes acima não são meros ingredientes de uma lasanha, são os únicos ingredientes capazes de fazer um garotinho desmilinguido, com um pouco mais de um metro, abrir um sorriso de dois, revelando o espaço escondido pela timidez outrora ocupado por um dente de leite agora entregue ao mourão. 

Eu tinha apenas nove anos, estava na terceira série, atual quarto ano do ensino fundamental, e minha única preocupação era saber quem ganharia o campeonato de botão na minha casa depois da aula. Escola-Botão-Esconde-Esconde <> Manhã-Tarde-Noite. Essa era a corrida e estressante rotina durante a semana na minha tenra idade. Nos fds’s (percebam como eu também sei usar gírias da internet) eu ia visitar minha mãe, pois sempre morei com minha avó materna. Eu lembro que não via a hora de chegar o fim de semana por dois motivos principais: porque eu podia brincar à vontade na rua e podia comer algo diferente no almoço. 

Minha vó sempre cuidou de mim como passarinho. Meu quarto era minha gaiola. Às vezes eu sentia falta de voar, digo, de ir jogar bola com os outros garotos, ou ir brincar de esconde-esconde que não fosse pela casa, onde os esconderijos já estavam manjados. É verdade que com o tempo ela foi afrouxando mais as rédeas, mas eu realmente me sentia como um detento mirim. Isso fez parte da minha criação e talvez tenha relação com o fato de eu não querer mais parar quieto dentro de casa hoje. Sei lá, Freud deve explicar.

Eu até que aturei isso reclamando e apanhando numa boa, mas com uma coisa eu nunca me conformei: o fato de comer sempre a mesma coisa no almoço todo dia. Panelas e mais panelas, de todos os tipos e tamanhos era possível encontrar na casa da minha avó. Todas utilizadas para o fim ao qual foram fabricadas: enfeitar a cozinha. Nada além disso. Essa era a finalidade de qualquer caçarola barata que dona Dedezinha comprava: adornar o cômodo menos visitado da casa. Sim, porque elas serviam apenas para preparar os mesmos ingredientes dia após dia: arroz, feijão, macarrão e frango. A única diferenciação era escolher entre grelhar ou cozinhar o frango, deixar o arroz solto ou fazê-lo de leite... mas basicamente os mesmos ingredientes. Nada diferente. Nem um bolinho ou tortinha sequer. Ah, uma tortinha! Mas lá estavam aquelas formas fundas de metal novinhas refletindo meu semblante de tristeza por não ter nada diferente para esse meu paladar angustiado.

“Ta reclamando de barriga cheia. Muitos não tem nem o que comer. Agradeça a Deus por ter algo para comer.” Era o discurso repetido à exaustão por aquela senhora baixinha para que eu me conformasse, claro, seguido das velhas e boas chineladas. Nunca engoli essa história. Como se fosse culpa de Deus as pessoas passarem fome. Mas isso é assunto para outro post, eu entro aqui no ponto central desse texto, no qual encerra o entusiasmo maior para ir passar o fim de semana com minha mãe. Quem me conhece sabe que eu sou comilão gosto muito de comer. É uma eterna guerra contra a gula, que vem ganhando todas as batalhas ultimamente. Mas não desisto, não desisto das tortas, salgadinhos, bolos, doces em geral e meu ponto fraco, ela, ah, sempre ela, que Raul não podia nem sentir o cheiro assim com eu, porque “tu és o M.D.C. da minha vida” Lasanha (com letra maiúscula sim, ela merece respeito, ora). Podem me chamar de Garfield, porque eu sou um gatinho e adoro lasanha.

Os finais de semana em que minha mãe fazia lasanha eram épicos. Aquele sol da liberdade em raios fúlgidos do hino brilhava mesmo no céu da pátria naqueles instantes e se harmonizava perfeitamente com o concerto dos pássaros que cantavam mais intensamente naqueles dias. Naqueles dias de lasanha! Pode parecer exagero, mas eu falo sério, os dias em que me mãe fazia lasanha não eram assim apenas nas minhas reminiscências, tudo ao redor parecia mudar, independentemente de qualquer problema que houvesse. E eram muitos. Mais do que uma criança de nove anos conseguia entender. 

Minha família sempre foi pobre, financeiramente falando, aliás, continua sendo até hoje. Embora as coisas tenham melhorado um pouco, nós ajudamos uns aos outros sempre que é preciso. Não é esse açúcar União todo, mas não deixamos nenhum integrante da família na mão quando necessário. Acho que a lasanha se tornou uma comida especial pra mim e minha preferida como se vê, por tudo que ela representa e me faz recordar. Ela estava presente nos momentos mais felizes da minha vida. E é justamente isso que eu guardo e levo sempre comigo, dias alegres, momentos únicos onde eu via a felicidade nos rostos de pessoas simples que se juntavam à mesa para compartilhar uma refeição tão rara na casa daquelas pessoas humildes, onde esse amontoado de massa chamado lasanha era nada mais que uma mera coadjuvante atuando ao lado de todo aquele amor que reinava ali presente naqueles dias. É disso que eu sinto falta. E acho que é o ingrediente que falta na maioria das lasanhas de hoje nas mesas de tantas famílias. Porque o amor é a verdadeira receita para felicidade. Já dizia o Grande Chefe no livro supremo de receitas, a Bíblia.

PS: Desculpe encher vocês com essas memórias enfadonhas, mas não tive como preparar nada melhor esses dias. Compenso na próxima matéria. Um abraço.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Nova Classe Mérdia do Interior


Alguém continua movimentando o contador de visitas dessa geringonça (vá ler um livro que é melhor que essa joça, Sara). Ou, como creio ser a força motriz que altera esses números misteriosamente, aqueles velhos viajantes virtuais desavisados. Seja quem for, o blog ressuscitou, acordou de um longo coma e agora almeja um retorno triunfal. Mentira. Ao menos retornou, já é um grande feito, então vamos deixar de balela e ir para o que interessa.

Mas antes, um aviso: esse texto vai soar, como nenhum outro que fiz, pelo menos para os que não me conhecem e nem conhecem minhas aspirações políticas, como invejoso. Então se você é daqueles que ainda usa Orkut e coloca “inveja e falsidade” entre as “coisas que não suporta” pare por aqui mesmo, pois esse texto pretende ser uma ode a esse pecado capital tão difundido em novelas e comerciais de televisão. Afinal de contas, todos sabem que eu sou apenas um amargurado que usa esse espaço para despejar toda minha inveja sobre temas fúteis e banais. Maldito Caim! Aviso dado, rumbora minha gente.

Lá estão eles, hedonistas, de maioria soberba e jactanciosa de um “poder” que pensam existir só por estarem um pouco acima do nível de renda da população, que é baixíssimo, diga-se de passagem. Essas são apenas algumas das características mais proeminentes das pessoas que compõem a “nova classe mérdia do interior” na nossa cidadela, e que não difere muito de outras cidades interioranas.

Esse é um mal que se alastra há tempos, mas que vem ganhando força atualmente graças às melhorias nas condições de vida de milhares de pessoas no nosso país, impulsionado boa parte pelo substancial avanço econômico gerado nos últimos anos. Explico. Não estou praguejando contra o Brasil, muito menos desmerecendo as conquistas econômicas alcançadas recentemente em terras tupiniquins. Eu quero mais é que as pessoas continuem mesmo a crescer junto com o país e ajudar a diminuir mais e mais a linha da pobreza nesse Florão da América. No entanto, agregado a todo esse avanço, origina-se o termo usado no título. Algo para o qual os cientistas sociais e políticos não atentaram ainda, mas que se torna cada vez mais uma fatídica realidade conforme avançamos economicamente. Ai meu Deus, esse texto tá muito sério. Hora de começar a acanalhar!

Todo esse avanço possibilitou, como o pessoal chapa branca de esquerda adora dizer, a quem comia um prato de comida por dia comer dois, a quem comia dois comer três, a quem era pobríssimo ser só pobre, a quem era pobre evoluir pra marromeno e pra quem era marromeno fazer um puxadinho, uma laje, comprar um fusca... É justamente esse último estágio de transição antes de consolidar-se como “classe média” que eu me preocupo e sobre o qual eu lanço meus impropérios hoje.

Nunca na história desse país houve tantas pessoas preocupadas com status e estratos. “Você vale o que você tem”. Ditado antigo né? Entre a juventude aparentemente isso é mais recente. A ganância, o orgulho, o egoísmo e a inveja, sempre ela, estão corrompendo os valores dos jovens. Quer uma prova? É só dar uma volta pelo point da galera descolada em dias de festa, a badalada Via Costeira. Garotas metidas a patricinhas proferindo anglicismos sem saber nem o português direito, plaboys se achando os reis do pedaço só porque circulam no carro do pai financiado em 872 vezes, jovens altaneiros que não tem onde cair mortos, mas o nariz é mais empinado que uma pipa só porque possuem sobrenome de família tradicional da cidade, e por aí segue a incomensurável lista de gente fútil.

São geralmente pessoas que só tem um objetivo de vida: encher o cú de dinheiro para depois esbanjá-lo com a maior ostentação possível, tais quais filhos pródigos de um capitalismo desvairado, bebericando nos bares por aí a fora e procurando um festa onde possam ver e ser vistos. Adoram espalhar mensagens bonitas sobre a preservação do meio ambiente, mas jogam lixo na rua (uma embalagem de confeito é lixo, porra), professam a defesa dos animais, mas vão pras vaquejadas ver bois serem perseguidos e puxados pelo rabo até caírem no chão, proclamam a valorização dos direitos humanos e a igualdade social, mas espalham conceitos machistas e preconceituosos e discriminam outras pessoas pelo nível de renda.

É assim, sob o invólucro de preocupação com as mazelas do mundo e deficiências da cidade, por exemplo, que alguns até tentam se aventurar pela Política Partidária para se promover, enquanto que na verdade acabam redundando no objetivo do início do parágrafo anterior: encher o cú de dinheiro. Sim, porque demonstração sincera de preocupação com a cidade nunca vi destes.

Mas o pior de tudo é ver pessoas mais lascadas que esses miseráveis cair no mesmo erro de querer ostentar algo inexistente. Entre esses pobres coitados figuram, por exemplo, aquelas mães que se orgulham em dizer que a filha namora um “demente descendente de pessoas importantes” da cidade. Como se boas qualidades fosse passadas por atavismo. E lá está o indigente chifrando a iludida nos quatro cantos da região oeste onde tiver uma lata batendo. Mas tudo bem, melhor do que um pobre lascado trabalhador que a ame e respeite, afinal, quem precisa dessas coisas quando se tem dinheiro? (Antes que maldem, não, eu não passei por isso, mas sim, sou um pobre lascado trabalhador que ama e respeita uma pequena).

Há também aqueles que eu chamo de “água e óleo”, pois não se “misturam” com qualquer pessoa. Não mesmo, somente com quem pode lhes render alguma fama ou status. São do tipo que não possuem porra nenhuma na vida mas se matam para comprar roupas de grife porque tem vergonha das etiquetas da Riachuelo e C&A. Quer fazê-los morrer do coração? Dê uma sacola destas marcas para eles carregarem.

São todos uma horda de ágrafos que nunca ouviram a palavra altruísmo na vida e se julgam de uma “estirpe superior”. São tantos estereótipos inúteis! Enquanto alguns permanecem na inanição em completo estado de abulia, outros se mexem com a motivação errada. 

Numa época em que o ensino superior é tão difundido no nosso país, com mais medo eu fico dos profissionais que estamos formando e a cada dia eu vou perdendo mais a confiança no ser humano. Estou as beiras de me tornar um misantropo. Eu vou parar por aqui antes que eu enfarte de raiva. Isso é o que dá escrever estressado e sob pressão de ter que postar algo para o mês não passar em branco. Assim como as outros textos, mas este em especial, podem desconsiderar.

PS: Culpa sua, Sara.



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Estou Cansado


Abro os olhos
E eu já estou tão cansado
O sol ainda surge tímido no firmamento
Os carros, engarrafados em sinais adjacentes,
E espremidos em linhas estreitas, iniciam o concerto cacofônico
Para em seguida liberarem aquela fumaça virulenta
Que logo mais vou ingerir como refeição matinal
Sim, pois estou tão cansado para fazer o café

É preciso mais que um banho para o despertar
Visto minha armadura e recolho a munição diária
Uma vasilha de biscoitos sortidos, mas me falta um escudo
Um escudo que absorva por mim as pancadas que se sucederão
Fecho a porta que só abrirei novamente no fim do dia e saio
Já nem sei mais qual é minha motivação, mas fecho a porta e saio
Mesmo estando tão cansado
                                                        
A mente reproduz inerte o itinerário que é o mesmo há muito tempo
Aliás, nele não cabem surpresas, quiçá a novidade de comprar uma aspirina na farmácia
Caminho, subo no ônibus, sou espremido, subjugado, puído até encontrar algum espaço
Pessoas esmagam-se dentro dessa caixa de ferro, pessoas semelhantes a mim
Desço do ônibus e caminho devagar, pois estou muito cansado

Papéis, computadores, dados e informações, pedidos e ordens maquiadas de favores
Tudo isso à minha espera com uma porção de semblantes dissimulados
Há outra grande porção, para dois até, de olhares acrimoniosos encobertos por máscaras
Mesmo acossado durante toda manhã, tento esconder alguma energia para outra corrida
Mas eu já gastei tudo perdulariamente e já estou novamente cansado
Ainda corro nos corredores, me elevo nos elevadores e volto pelos degraus
Interpreto estatísticas, crio tabelas, apresento gráficos e uma infinidade de etceteras
Isso só com um pouco de tudo isso é suficiente para me deixar cansado

Mastigo alguma coisa sofregamente para ir me espremer coletivamente mais uma vez
É o ritual de passagem para o próximo estágio e para parte do dia depois das doze
O ambiente agora é outro, mas as atribuições são parecidas
Os indivíduos, que não deveriam ser chamados assim, são iguais com outros rostos
Mas não posso ser ainda mais injusto, há por lá um senhor simpático
Ele insiste em perguntar como vou indo como se já soubesse a resposta
Como se soubesse que eu já estou tão cansado

Protegido pela égide da esperança sigo retígrado aguardando o abraço lúgubre da noite
Mas a noite também é mais uma de meus algozes, ela me traz mais responsabilidades
Responsabilidades das quais não posso me esgueirar
Responsabilidades que me distanciam de tudo
Responsabilidades, responsabilidades, responsabilidades
Responsabilidades que me separam de um beijo cálido do meu amor
Com a promessa de tê-lo sossegado no futuro
Ah, que beijo! Ele sempre age em mim profilaticamente, uma injeção revigorante!
Mas quando não o tenho caminho cansado para onde se espera o trem rodoviário

Chego ao lugar onde rezam freqüentar os sábios e eruditos. Pura mentira!
Sento para ser ensinado e sou ensinado a me sentar
“Esse não é o seu lugar!” Nem sou louco para discordar, ou melhor, não discordo
Anseio que me digam onde é realmente o meu lugar, mas tenho que procurar sozinho
Me acomodo longe, onde as letras se fazem turvas, então deixo minha mente vaguear
É a única forma de escapar da celeuma pungente que aflige tímpanos e consciência
Recebo uma sobrecarga de informações das quais não consigo sorver metade
Lasso, delambido, fatigado, definhando e esvaindo-se eu já estou tão cansado

E lá vou eu pegar o 70 novamente, mas agora com a certeza de ir para casa
O percurso infindável parece não chegar, eu preciso ser redundante enquanto isso
Abro aquela porta que fechei no começo do dia e me apresso em direção ao banheiro
O chuveiro é incapaz de lavar as mazelas de minha alma conspurcada
Vou para cama precisando de alento, mas só tenho o tépido lençol que me cobre
Me bate uma saudade bucólica no limiar do sono convalescente antes de amanhã
E depois de tudo isso eu ainda estou cansado


João Paulo C. de Medeiros em 07 de Agosto de 2011




PS: Porque esse blog também é sério!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Forró e Baile da Rainha – Adaptação aos “Novos Tempos” ou Decadência Assumida?




*Perigo! Perigo!* Texto altamente radioativo. Contém linguagem ultrajante e obscena, heresia e violência contra a consciência. Contraindicado para menores de 90.

Dessa vez não escapo de um funeral. Eu sei, estou preparado. Já tenho lápide pronta com um bonito epitáfio que diz: “Aqui jaz um blogueiro desbocado”. Concluí até meu testamento caso se suceda mesmo o pior. Uma vez pronto, sigo escrevendo enquanto não desfaleço em direção ao mundo dos enterrados, sim, pois chamá-los de mortos é um insulto, mortos somos nós, essa geração miserável a quem não basta por fim ao meio físico e agora quer arruinar elementos intangíveis pertencentes à cultura de um povo, de uma região. 

O primeiro componente da cultura a que me refiro a ser deturpado foi o velho e bom forró. Percebam que eu usei o adjetivo “velho” antes de “bom”, afinal, o que é produzido atualmente não podemos nem adjetivar de forró, quanto mais de bom. 

Há algum tempo eu li uma matéria em alguma página da internet, da qual não me recordo o endereço, onde relatava a polêmica gerada pelo secretário de cultura da Paraíba, Chico César, isso mesmo, aquele do “Mama África”, em decidir não usar dinheiro público para contratar para as festividades juninas o  que ele chamou de “bandas de plástico”, referindo-se a bandas de forró da atualidade que em nada tem ligação com a cultura nordestina, bandas com objetivos puramente comerciais que denigrem a imagem do ritmo que alegam levar sob o pseudônimo de forró.

A desgraça começa pelos “equipamentos” utilizados. Quando pensamos, por exemplo, em um instrumento que represente a Música Clássica logo vem à mente o Piano, assim como é a Guitarra para o Rock, o Contrabaixo para o Raggae, o Sax para o Jazz, os Tambores para Macumba... Certo, não é música, mas há quem goste. E para o Forró? Ela, claro, a sanfona, ou, para os exigentes rotulados de refratários que teimam em manter acesa a luz do candeeiro, acordeom, nome mais pomposo que representa a essência do verdadeiro ritmo. Mas quem disse que você o encontra nas bandas de forró por aí? Está mais raro que arara azul. Esses dias a gente vê uma picape de música eletrônica, mas nada de sanfona. Trocaram a zabumba pela bateria, a sanfona pelo teclado e o triangulo serve de pedestal para guitarra e contrabaixo. “JP, não seja tão radical, querido, qual o mal de se implementar novos instrumentos ao ritmo?” 

Tudo bem, não nos importemos em que latas batemos a fim produzir som, vamos usar novos instrumentos, mas vamos “pelumenu” manter a raiz e essência do ritmo, caramba! Que seria... O conteúdo das canções. Rá! Agora f*%#u. Alguém pode me dizer onde estão aquelas letras que falavam sobre o sertanejo, sobre as dificuldades do homem do campo, bem como suas belezas e encantos, sobre as histórias peculiares ao povo  e região de onde surgiu essa forma musicalizada de expressão? O que vemos hoje é bem diferente. Fala-se em, vamos à incomensurável lista: farra, cabaré, putaria, rapariga, cachaça e variados outros tipos de bebida, traição, pra ser eufêmico, mas é chifre mesmo, rapariga merece outra posição pela popularidade, paredão de som... Enfim, um conjunto de coisas desprezíveis que faz Luís se remexer no túmulo com seu alazão, eu aposto. Até Lady Gaga já transpuseram para o forró – pelascaridade, o que esse travesti espalhafatoso tem a ver com o ritmo?

E o tal de forró universitário? É tipo o sertanejo universitário? Eu nunca entendi esses termos. O que são essas p##@? São estudantes de música reunidos com a esperança de aprenderem a tocar algo?

Eu tenho é medo de perguntar o que ainda falta. Mas não duvidemos da capacidade criativa dos miseráveis que fazem esse tipo de coisa. Um vídeo ficou famoso na internet? Versão forroresca pra ele. Há quem diga que “as pessoas que fazem isso são muito criativas e inteligentes, só não usam suas potencialidades para algo mais proveitoso”. Olha, eu vou dizer uma coisa, você que diz isso e as pessoas que fazem essas merdas são uns no Cool. Pra mim essas pessoas são um bando de imbecis por ignorarem o mal que estão fazendo a uma cultura que não é imutável obviamente, mas que merece ser preservada. Ao menos em sua essência.

O segundo componente da cultura mencionada a ser corrompido por essa onda de atentados terroristas, – comigo é tudo no extremo, essa é a parte em que sou torturado e esquartejado pela inquisição – foi o afamado baile da rainha, que marca o fim das demais festividades na cidade, realizado no último dia de julho. Bom, pelo menos até esse ano, pois do modo como caminham as mudanças... Não vamos entrar em méritos de local onde foi realizada a festividade, mas de quem foi “convidado” para a mesma. O estilo de banda comumente requisitada para o evento fazia jus à nomenclatura de baile. Porém esse ano, um “camarada” (vamos chamá-lo assim) com indícios de quem tinha bebido um cadinho (pra ser eufêmico sempre, mas me digam que não foi somente um amigo e eu que percebemos isso) quis inovar anunciando a entrada de uma, como diria Chico César, “banda de plástico” como atração principal.

Percebam que raríssimas vezes eu faço isso, mas na minha sempre preterida opinião, entidades religiosas (igrejas, templos, terreiros ou do que chamarem) não deveriam realizar ou se envolver em atividades que fujam do “sem fins lucrativos”. Sim, pois qual o fito de contratar uma grande banda de “forró” da atualidade para tocar em um evento senão ganhar dinheiro? Você, ingênuo, que acredita com veemência na justificativa de que esse é um meio da igreja,“necessitadíssima coitada”, arrecadar recursos para se manter, pode me explicar a relação entre uma atividade religiosa em “momento de adoração e fé” e uma atividade “mundana” em “momento de pegação e mé”? Pode me explicar qual a mensagem bíblica por trás das letras que lhe “exortam” a beber até cair, cobiçar a mulher do próximo, fornicar feito desvairado, entre outras coisas contrárias aos ensinamentos e doutrinas da mesma igreja contratante dos serviços da banda? Ou ainda, consegue visualizar Jesus circulando em um ambiente com tamanha promiscuidade? Ta lá, o filho de Deus com uma latinha de cerveja na mão olhando para as dançarinas seminuas (que agora copulam dançam 80% do show de costas) e cantando “traição é traição, romance é romance, amor é amor e um lance é um lance”. Nem precisa escrever o resto da letra, a galera já sabe de cor. Agora pede pra citar e referenciar os capítulos e versículos de três textos bíblicos. Não vale Gênesis 1:1, hein! Pronto, zerei o leque de opções. 

E então, esse é mesmo um meio de se levantar fundos para manter a igreja operante ou um ato desesperado para “ganho duvidoso”?

Aparentemente os únicos que ainda se importam com a programação religiosa são aquelas pessoas senis, a quem chamamos de idosos, que suportam assistir a todas as novenas. Ah, e também uma leitora chamada Milla, que comentou sobre minha matéria anterior: 

“...seria algo mais importante você falar sobre a festa em si. Fui criada no tempo em que a Festa de Sant’Ana era para se cumprir promessas, agradecer, e etc. Não para ser um mercado mundano, onde homens e mulheres se desejam.

Sigam o exemplo dela, que cumpriu promessas, agradeceu e, mais importante, não desejou homem. E nem mulher, eu espero. Uma jovem cheia de fé ou uma bem arranjada beatificada?

Já da galera jovem e descolada não se pode dizer o mesmo. Já é muito baixar o som em frente à prefeitura na hora que passa a procissão e ainda querem que vá às novenas? Por favor, né?

Já chega, me delonguei demais. Já fiz isso ano passado nessa matéria aqui: (X). Preparei esse textinho ao som Falamansa, umas das poucas representantes do “movimento” que conhecemos por forró. Aquele de raiz, que resguarda e honra a tradição. Sacas?

O que você acha, o forró está mesmo em decadência? E o Baile da Rainha? O que achou das comemorações desse ano? Comenta aqui, né pecado não, besta. Qualquer coisa você reza 56 pai nossos e 78 ave Marias e ta absolvido.

terça-feira, 26 de julho de 2011

5 Tipos de Garota para “FICAR” na Festa de Sant’Ana


Há pouco tempo rolou por aqui uma matéria sobre os “Tipos de Garota para se Evitar na Festa de Sant’Ana”. O que é mais aconselhável mesmo é evita-las em qualquer época e lugar, eu só aproveitei a popularidade do período para pegar carona, oportunista que sou. Logo abaixo poderá encontra-la. Ou não, pelo visto só eu consigo visualizar os textos nessa joça. Sim, pois em quatorze dias de exposição nenhum resquício sequer de comentários foi encontrado. Ta mais fácil encontrar óvnis na Serra de João do Vale do que uma alma vivente que leia minhas matérias. Meldeus, só minha mãe e meu irmão movimentam o ponteiro das visitas? Nunca ansiei tanto por um impropério, ao menos, dos xingadores profissionais de blog. 

Quando tudo parecia perdido enfim, eis que surge um salvador da pátria, aliás, dois. Patrício e Michael publicaram a mesma matéria no site CG News e em apenas um dia caiu uma chuva torrencial de comentários. Ta certo, to exagerando um cadinho. Mas isso é que é visibilidade! Não só comentários, mas a publicação me rendeu ainda um monte de pragas rogadas, trabalhos na encruzilhada, xingamentos de sobra pro resto do ano, ameaças de morte, e até, vejam só mais que desgraça, pedidos de casamento. Sobrevivi a esse texto graças a um colete a prova de balas e de pedras. Olha eu exagerando de novo. Mas uma coisa é verdade, a matéria deu brecha a uma brincadeira que acabou resultando num convite para integrar a equipe do CG News. No entanto, eu mesmo aumentei meu salário para dois biscoitos “Treloso” e uma pipoca “Bokus” por semana para continuar escrevendo aqui. Com essa super contraproposta de mim mesmo eu acabei ficando. Vou continuar perturbando nesse endereço, não sei por quanto tempo, até o dia que decidirem desligar os aparelhos que mantém viva essa geringonça. Muito bem, vamos acabar com esse papo de eutanásia virtual e partir para o que interessa.   

Nos comentários da matéria anterior (em outro endereço, só para frisar mais uma vez) algumas leitoras simpáticas pediram encarecidamente, através de intimação judicial, ora, ora, não, mas quase, um contra-post que abordasse o outro lado da moeda, e elencasse, em outras palavras, “os tipos de garota para NÃO evitar”. Bem, o que vocês não me pedem sorrindo que eu não faço morrendo de ódio? E aqui estou eu ao pior estilo revista teen para atender a essas solicitações. Ou teria que me ver com o juiz. Por vocês e para vocês, meus amores femininos agraciadas com o dom supremo da sensibilidade, eu fiquei horas escrevendo até tarde da noite mesmo sabendo que teria que acordar cedo para ir labutar no outro dia. Nada mais justo então que suas contribuições, nem que seja para avacalhar nos comentários. Então não deixem de incluir os tipos omitidos e/ou seus prediletos. Ou não, nem queria mesmo. Rum!

Então vamos lá, mas antes um recado para os desavisados. Não há espaço aqui para formas deusificadas. Não abordarei nenhum tipo de mulher mística ou fábula de uma Afrodite carnal que caminha por aí a hipnotizar e seduzir o macho com seus feromônios à flor da pele. Não, não. Hã, hã. Nada disso. Esses tipos não existem, como rezam as lendas daqueles amigos gabolas que todos temos – isso quando não é você o “contador de histórias”. Para mim toda mulher tem ao menos aquela unha encravada, aquela gordurinha localizada ou ainda por localizar, aquele cabelo mais rebelde que a novela, aquelas “covinhas impronunciáveis na região das coxa”, enfim, até um pequeno defeito quase que imperceptível a olho nu que a mimosa esconde a sete chaves, que na verdade é nada mais que uma prova incontestável da insatisfação generalizada dessas eternas observadoras. O jeito é deixar os atributos físicos de lado e apelar para o que a moça é por dentro.

Quem procura por superficialidade adentrou no lugar errado. Xô superficialidade. Vá fazer vítimas em outro lugar sua desgraçada, pois aqui eu vou tratar daquele tipo de “mulher matemática”, que tem muito conteúdo, mas nunca é visto tudo até o final do ano letivo, sacas? Boa parte da culpa por isso é de nós homens, isso mesmo, aqui eu vou bulir com essa classe também. Aquela velha história de que só há o produto porque há demanda, ou seja, o homem seleciona menos, aliás, demais, só que o mesmo estereótipo sempre: a gostosa com titica na cabeça, aí as menos providas de beleza, geralmente as que tem algo para mostrar além dos atributos físicos frontais e traseiros, acabam sendo dispensadas, tadinhas. Não que inteligência e beleza não possam caminhar juntas, mas convenhamos, tipos lindos e inteligentes estão cada vez mais raros, quiçá já em extinção. Estão sendo criados em cativeiro por pais temerosos e superprotetores no interior do Acre. Quando surge uma pequena com essas inestimáveis características você acaba por descobrir que é made in China ou Paraguai.

Enfim, não foi tarefa fácil, pelo contrário ao avesso duas vezes. Foi muito difícil. Embora não devesse ser, e até sabia que seria. Sendo assim, foi. Mas depois de tanto ruminar longas elucubrações eu consegui destilar algo. O parto aconteceu! Só peço aos marmanjos que abram os olhos para essas mulheres, pois até vocês traíras homens pediram o mesmo contra-post. Mas também não sejam tão exigentes na busca, meus Sherlock Holmes. Mesmo você, meu herói, mergulhado sozinho nesse fosso sem fundo da solteirice que lhe oferece liberdade incondicional e ainda assim está à procura da outra metade da cajarana não vá pensar que pode encontrar uma pequena com todas as características descritas a seguir. Não se engane. Se achar com uma é bom, nada de pouco, com duas é bom demais, com três é obra do Senhor, tendo em vista tamanho milagre, e de quatro em diante, sem dúvidas, você é o escolhido, mermão.

Estou um pouco atrasado, é verdade, mas ainda dá para evitar muita desgraça nesse meio de mundo que resta pra terminar a festa. Fiquem com as beldades então. Dessa vez, além da leitura, eu deixo.

A Boa de Copo: Ela é aquela garota que você, desavisado, coitado, pede uma cerveja e uma coca e ela pergunta porque você vai beber refrigerante. Ela ta pouco se lixando em saber que aquele amarelo espumado geladinho vai, na pior das hipóteses, aumentar uns centímetros sua pochete abdominal. Ela quer saber é qual assunto virá com a próxima garrafa, que histórias poderá compartilhar no próximo “tss” de latinha aberta. Porém, muita calma nessa hora. Não confundam com a espécime “Cachaceira” da matéria anterior. Há uma diferença abissal entre a “Cachaceira” e a “Boa de Copo”. Pra começar ela não escova os dentes com cachaça, não vai vomitar em você quando começarem a rodar no dois pra lá e dois pra cá do forró, muito menos acordar perguntando se tem álcool no soro dela na cama de um hospital graças a um coma alcóolico. Como havia dito, todo marmanjo que aprecia os variados elixires providos por Baco sonha em encontrar um companheira de copo. Sua busca finda aqui. O amor soluçou ic-ic pra você. Se não “percebeber” tem que rever essas quantidades ingeridas de álcool, meu pequeno aprendiz do finado mestre Solteirão. Atente também para quantidade ingerida pela moça, a variedade dos mé que ela toma, e a qualidade, é claro, bem como a resistência à marvada e o balanceamento e equilíbrio corpóreo em seus gestos e movimentos. Beber bem, não é beber muito, e sim beber dentro dos seus limites para não causar nenhum vexame depois. Se você e ela se garantem, invista nesse olhar meio embaçado e soluçante, campeão.
 
A Boa de Papo: Essa ganha pela inteligência. E daí que ela não é uma top model? Ela supre isso facilmente com sua habilidade bucal. Olha você pensando besteira. Eu to falando da capacidade de hablar, companheiro. E muito bem, diga-se de passagem. No quesito dialética ela é descendente de Sócrates. Junte demagogia política com a persuasão de famosos líderes religiosos e acrescente uma pitada de meiguice, pronto, criou uma poderosa arma capaz de persuadir multidões. Ela consegue captar a atenção das pessoas com aquela voz suave e segura, mansa e feroz nos momentos certos para enriquecer seu discurso. Sempre atualizada, conversa sobre tudo, desde a invasão de tropas pacifistas na Bósnia à tradicional corrida de jegue em algum lugar aí do Nordeste. Você pode se divertir na festa e ainda aprender o que não aprendeu na sua vida escolar inteira. Um cântico para seus ouvidos é a voz dela. Você gosta de música, amigão? Abra seu ouvido e coração e mande ela entrar, meu velho.

A Despreocupada: Ela está cansada de guerra, meu amigo! O que isso quer dizer? Que ela já conhece cada nível de intensidade pode bater um coração feminino. Já experimentou paixões diversas e casos de Julho como se fosse qualquer outro mês. Mas pelo amor de nossa senhora das decepções de festa não a confundam com uma “Pegadora”. Ela sabe de cor o resultado de julho + festa + whisky e já cantou alto e chorou por dentro pensando no trecho da música de forró, mas agora simplesmente cansou de sair por aí como uma desesperada em busca de companhia. Ela perdeu aquela ansiedade que reprova muitas das menininhas afobadas de hoje. Nada de participar da pré-caça na Via antes da festa. Ela vai sossegada, sem maiores pretensões. O tempo sarou as feridas do seu ex-coração aflito e lhe ensinou direitinho a fórmula pra se dar bem. Você também pode aprender muito com ela, meu herói. Ela está despreocupada, mas você não, então segura essa menina. Senão vem outro e leva, besta.

A Caseira: Os festeiros que me desculpem, mas eu tinha que incluir esse tipo de garota no texto também, afinal, nem todos são dados à algazarra e a agitação do período. Há aquelas pessoas que por escolha própria decidiram não se envolver com os eventos da época. Se estiver pensando que ela é algum tipo de fanática evangélica se enganou. Ela simplesmente não gosta do alvoroço peculiar à data. Vai dizer que nunca bateu o pé e disse “não vô”? Ela descobriu outras formas de se divertir. Assim, você nunca vai encontra-la circulando na garupa de uma moto pela Via Costeira (vide patricinha), bebendo feito louca na calçada da prefeitura (vide cachaceira) ou assídua em todas as festas do clube a dançar com todos os marmanjos (vide dançarina e pegadora). No máximo, ela sai para olhar as exposições da feira ou algum show na praça. Só! Se você também não é chegado à badalação ou acha que a pequena vale o esforço de abdicar da folia de Julho não perca a chance de ficar enclausurado com ela em algum lugar longe da fuzarca, meu rebento. Se avistá-la em suas raras aparições, agarra, agarra logo, ligeiro, na mesma hora. Se piscar antes disso ela some.
 
A Simpática: Eu sempre deixo o melhor para o final. Vocês sabem. Às vezes me lasco por isso, mas sempre deixo. Um tchauzinho aqui, um aceno ali, dois beijinhos no rosto aqui e acolá e uma multidão de gente cumprimentando-a. Aí você pergunta o que será ela fez para ser tão popular. Você pensa no bem: Será que vive ajudando velhinhas a atravessar a rua? Você pensa no mal: Será que ela já deu pra todo mundo? Nada disso, meu chapa, ela é simplesmente muuuuiiiiito educada. E eu não estou falando das regras de etiqueta de calça da Glória Kalil, e sim em ser, no bom português, legal com todo mundo. Mãmã, Pápá que nada, bom dia, por favor, obrigado e com licença foram suas primeiras palavras. Ela e a palavra orgulho não foram apresentadas. Pode até ser podre de rica, mas é extremamente humilde e imparcial, tratando a todos da mesma forma. Sempre com um sorriso encantador no rosto, é claro. Até para dar um fora em alguém ela é extremamente educada. Dança até três músicas seguidas com aquele chato insistente, e o dispensa com uma delicadeza que só pode ter sido ensinada pela Super Nany. É a companhia perfeita para você levar no churrasco de fim de semana da sua família no período da festa, ela compreende até aquele seu tio mala e a tia fofoqueira. Só tome cuidado para não lhe rejeitarem e desejarem ficar com ela em seu lugar. Topou com esse poço de simpatia? Se joga! Mergulha de cabeça, meu filho, assim, do jeito que tiver, com roupa e tudo. Está esperando o que, autorização do juiz?

OBS: Se esbarrar com alguma dessas garotas e deixar passar a oportunidade você merece morrer e ficar só por 10 reencarnações seguidas. Se você for como eu e não acreditar em reencarnação piorou, pois só terá uma oportunidade. Então aproveita, bestão!

E para você, como são as garotas para ficar? Deixe aqui nos comentários.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

5 Tipos de Garota para EVITAR na Festa de Sant’Ana


"Todo ano tem, uma festa famosa na região..." é tão clichê quanto usar a palavra clichê. Todo ano tem também choramingos e corações MASCULINOS partidos aos montes (acreditem se quiser) por variados tipos femininos. Esse período aparentemente deixa as pessoas mais vulneráveis, principalmente os homens, sim, os homens, esses neandertais com coração de menino, que acabam investindo mais que as mulheres, tanto emocional, quanto financeiramente (quer algo que "bula" mais com o lado emocional que o lado financeiro?). É sempre a mesma coisa, estoques e mais estoques de whisky e “Redi Bu” pra impressionar as caboquinhas e depois ficar depressivo pelo fim da festa, do dinheiro, da bebida e do relacionamento relâmpago com uma garota qualquer que conheceu na Festa. Isso não é fácil. Deveria ser, mas não é. Na verdade é bem mais complexo do que imaginamos (ainda faço um estudo a respeito), por isso resolvi dar uma de conselheiro amoroso esse ano e privar a macharada da ridícula lamentação emocional condicionada para às mulheres (mulheres, me deixem viver pelo menos até a minha formatura, é o sonho da minha mãe). Eu listei aqui os cinco tipos mais comuns que podem ser encontrados nesse período, deixo vocês com eles, mas cuidado, só na leitura hein:

A Forasteira: Um dos tipos mais comuns em períodos como esse. Geralmente não estendem sua estadia por mais que 3 X novenas + 4 dias = mês de Julho, mesmo assim, é tempo mais do que suficiente pra você perder a tração nas quatro rodas e arriá-las de paixão pela pequena que chegou na cidadela com um ar de mistério, vinda de um lugar que nas palavras dela é tudo “lhendo e mara”. Ela lhe conta inúmeras histórias fabulares sobre esse pedaço de mundo cheio de amor e passarinhos onde você só viu algo parecido na televisão, certamente lá pras bandas de Goiás. Num belo dia ela diz que sonha em te levar lá pra conhecer essas maravilhas de encantos mil e no outro some que nem mágica do Mister M. É quando você descobre que ela foi embora para o seu esconderijo terrestre, sem porém lhe deixar as coordenadas de latitude e longitude em forma de endereço, e-mail, e nenhum outro resquício sequer de contato que o mantenha vivo literalmente por aparelhos, sim, pois sem o celular da moça não há como ouvir aquela voz meiga novamente, pelo menos para se imaginar revivendo aqueles momentos de puro love (#brega) que sua vida monótona e medíocre tanto carece nesse quesito. Você vai lembrar dela ainda por umas três festas seguidas (terá sorte se não forem quatro) na esperança de que ela retorne em alguma Sant’Ana futura. Quer um conselho amigão, pra não ficar depressivo? Fuja dela, se um dia ela voltar nem lembrará mais de você, então dê uma de forasteiro também e caia fora dessa.

A Dançarina: Aí você diz “mas como assim evitar a dançarina, eu também gosto de dançar”. Não meu camarada, não se engane, eu não estou falando aqui de um tipo comum de dançarina. Ela já dançou com metade dos marmanjos da festa e o salto dela continua intacto (#mistériosinexplicáveisdavida). Vou logo dizendo, nem adianta chegar com aquele papinho de que não sabe dançar pedindo que ela te ensine, ela só quer dançarinos formados, com especialização e mestrado no assunto, o X da questão aqui é se conseguirá acompanhá-la. Aí você pergunta: “Mas né a mulher que acompanha o homem?” Eu to falando de acompanhar o fôlego da criatura. Você, se achando o Carlinhos de Jesus do recinto, só porque sabe o dois pra lá e dois pra cá do forró, aprendeu lambada com um primo de terceiro grau do vizinho de Beto Barbosa e ensaiou alguns passos de free step vendo vídeo no youtube cometeu o pecado de achar que isso seria suficiente para conquistar a garota à sua frente, então você se auto condena a duas penas de morte simultâneas chamando-a para dançar. Meu pequeno bailarino, saber dançar conta muito, mas isso não basta. Não basta! É preciso sangue de queniano na veia, meu chapa, com atestado de conclusão de cinco maratonas, três triatlos e um acampamento, sem levar água, no deserto do Saara para acompanhar essa gata. Ela dança pra lá, dança pra cá, gira, pula, agacha, sobe, agacha de novo, dá pirueta, joga o cabelo que nem a Joelma e você só de olhar já ta pedindo uma aguinha e tendo um infarto. Ela não para um minuto e não vai querer fazer outra coisa além de dançar. O salão do clube será o único lugar onde você irá vê-la rebolar, se é que me entende. Se você está sedentário e não sabe aumentar o seu Ki em 10X, então esqueça companheiro. CORRA, enquanto ainda tiver fôlego pra isso.

A Cachaceira: Todo marmanjo apreciador desse líquido desnorteador-afrodisíaco dos deuses do Olímpo sonha em encontrar uma companheira de copo. Nesse tipo de garota aqui ele vai encontrar tudo, menos o copo, que não sai da boca da condenada. Essa realmente escova os dentes com cachaça. Seu café da manhã é peixe frito com cana logo cedo no Morcego, à tarde ela enche - sempre com respeito - o rabo de cerveja na calçada da prefeitura, e na festa à noite, acompanhem, whisky, vodka, caipirinha, capeta, tudo isso de novo... até chegar ao nível 5 de g/s (goladas por segundo) comparável ao do falecido mestre Solteirão (que era de 7,5), que Deus o tenha. Ela possui forte resistência à marvada, mas vai vomitar em você, vai armar barraco porque você demorou pra pegar a água de côco, para adicionar ao whisky, é claro, e por último vai apagar nos seus braços. Dormindo? Sonha inocente, ela entrou em coma alcoólico, e adivinha quem vai levá-la pro hospital? Ela vai acordar perguntando se tem álcool no soro que colocaram na veia dela e indagando quem é você. Como assim você queria que ela lembrasse de uma pessoa que conheceu bêbada, ou melhor, trêbada? Rá! Como dizem os pintas da vida, de rocha mermu, essa boy é sem futuro. Se não quer perder a noite cuidando dos outros, então pegue sua caneca e volte pra colocar gelo na mesa dos amigos, ora!


A Pegadora: Pra você que acha que só o macho da espécie humana têm direito a “relacionar-se” com diversos pares ou não gosta de relacionamentos moderninhos de ficar com umas e outras, cuidado para não se envolver com esse tipo de garota. Aí você pergunta: como saber se uma garota é confiável? Analise, por exemplo: Ela parece uma piriguete (– 100 pontos), ela “É” uma piriguete (– 200 pontos), ela é desconhecida (– 300 pontos), ela é muito “conhecida” (– 400 pontos), ela já pegou um amigo seu (– 2000 pontos), já pegou 2 amigos seus (– 4000 pontos). Segundo os padrões do IBGPE (Índice Brasileiro de Garotas Pegáveis), é aconselhável uma garota que esteja no máximo entre a média de 0 e 90 pontos negativos, essa já extrapolou o limite no primeiro quesito, manolo. Enquanto que a dançarina dançou com todos os marmanjos da festa, essa dançou e de quebra ficou com todos eles. Ta certo, ta certo, ela não é necessariamente uma vadia a quem os homens recorrem no fim da festa quando não pegaram ninguém, ela pode ser uma menina bonita, inteligente e interessante que gosta de se divertir, que mal faz você conhecer a moça melhor? Até aí tudo bem, desde que seja muito, mas muito bem escondido para não “malhar” suas chances com outras garotas e não cometer o pecado de se apegar a ela, pois se você procurá-la novamente ela vai cantar pra ti: “eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também”. Não quer ser apenas mais um na contagem dela? Então não conte com ela na hora de escolher uma guria pra passar a noite, meu herói.

A Patricinha: E por último, ah, por último a melhor, é claro (entre as piores?). Essa espécie é abominável em qualquer época ou ambiente, não somente na festa de Sant’Ana, entretanto, aparentemente esse é o período em que proliferam substancialmente e surgem das profundezas mais recônditas do mundo rosa nos quatro cantos da cidade, seja dançando em cima de uma picape 4x4 ao som das ambíguas músicas de forró, na garupa de uma moto dando 537 voltas ao redor da Via Costeira, desfilando cheia de arrogância ao lado de outras patty girls com sua maquiagem carregada e seu óculos escuro de grife falsificado ou tomando uma “gela” na calçada da prefeitura (“hellloooouuu o point da galera descolada, ta sabendo, honey” – mesmo sem saber construir uma frase completa ela adora misturar inglês e português). Essa espécie anda sempre em bando, quase que totalmente uniformizado, é preciso exímia perícia para distinguir uma da outra, essa distinção geralmente é feita pela tonalidade da cor da roupa, pois usam o mesmo estilo de blusa, calça e sapato (obs: não raro um veado escandaloso faz parte do grupo também). Como boa seguidora do estatuto das pattys ela é metida e se julga superior a tudo e a todos, por isso não se mistura com outras “tribos”, mas precisa delas para se enaltecer diante das amigas ridicularizando as roupas baratas que vestem. Tem nojo, aversão, repugnância a pessoas impopulares, feias e, principalmente, pobres, preferem os playboys e mauricinhos (outras espécies nojentas) que ficam circulando com o carro do pai (um grande abatedouro de pattys, famoso marmita, sacas?). Ela pensa que veio do mundo encantado da Barbie e vai encontrar o Ken (Who?) no baile da princesinha, ou melhor, da rainha, prazo máximo para se transformar em galinha e sair catando geral cisne (detalhe, morrem de inveja se a amiga encontra um “príncipe” primeiro ou que seja mais bonito, rico ou popular que o seu). Detentora de cérebro de ameba, suas frases não possuem mais do que quatro palavras que irritantemente fala arrastando as sílabas, coisas do tipo: Aiiimm que tuudoo miiigaaa! Somos elite, benhêêê! Como não consegue pensar por conta própria segue o que outra patty acéfala da “high society” (elas adooooraaamm essa expressão) dita em uma revistinha de moda ou programa frívolo de televisão. Só há uma coisa pior que a patty, são as metidas a patty, são aquelas que não tem nem onde cair morta, coitadas, mas passam um ano todo juntando dinheiro ou perturbando a mãe para comprarem umas roupas da moda na Festa de Sant’Ana para se passarem por pattys. Elas pagam pau para as pattys verdadeiras. Então meu amigo, se você não é popular, é feio, ou, pior de tudo, é pobre, não se meta com esse tipo de garota (ah, elas também odeiam nerds, o que podemos chamar de antônimo das pattys: impopulares, feios e pobres querendo subir na vida). Mas não fique triste, pense pelo lado positivo, você não suportaria tamanho poço de futilidade por mais de vinte minutos e ainda correria o risco de “pegar” burrice por osmose.

OBS.: Nada aqui foi baseado em experiências vividas pelo editor dessa geringonça, mas isso não quer dizer que não tenha sido baseado em experiências dos seus amigos, “má ôôôéé”... Entrego mermu e se chiarem eu entrego os nomes também, #soudomal. Valeu galera, #ficaadica (mania agora de ficar usando as hashtags do twitter no blog, #atitudesdepobre).

E você, qual tipo de garota acha que deveríamos evitar na festa? Deixe aqui sua dica, ou não, seja egoísta e deixe os outros machos se lascarem.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Entrevista com o Blogueiro



Definição de Blogueiro: Abominável-execrável-repugnante espécie parasita do ambiente virtual que se alimenta do tempo útili das pessoas, sugando cada precioso minuto que poderia ser usado de melhores formas fazendo-as ler inutilidades para se manter vivo. A blogaria é a pior classe que pode existir no meio literário (e demais também), tome em comparação, por exemplo, o jornalista, que acha que é um escritor (tipo romancista, cronista, etc), já o blogueiro acha que é jornalista, escreve um textinho sobre os problemas sociais das massas (que não passa dos componentes da sua família) e já se refere a si mesmo como editor e ao espaço do blog como imprensa, usando jargões como artigo, matéria, etc. Tem coisa pior?

Introduction
Todos que me conhecem sabem que nunca fui afeito ao nhã nhã nhã de datas comemorativas, sobretudo quando dizem respeito a datas natalícias. Mas não pude me conter e deixar passar em branco o primeiro aniversário da minha “prole virtual” (essa expressão me lembra o tomagoshi). Graças a isso fui compelido a fazer algo especial, ou no mínimo diferente do que já fiz por aqui, mesmo com todo esse superatraso (o negócio foi em Abril, retardado). Então é com muito prazer que vos apresento a primeira entrevista realizada pelo espaço.
Para esse feito inédito por aqui usei de todos os meios, inclusive vender o próprio corpo para arrecadar fundos e lhes trazer um convidado ilustre, uma pessoa insigne, um egrégio político, um herói nacional ou qualquer outro indivíduo que carregue em si o status de importância do qual valha a pena ler sobre seus comentários. Não foi possível, comprei dois salgados e um copo de suco com o dinheiro que apurei. Não consegui sequer, mesmo com toda ajuda prestada, uma entrevista com Valdecir, que agora anda muito ocupado planejando detalhes de sua biografia que será escrita por um jornalista famoso e aproveitando seu momento de fama ganhando rios de dinheiro depois de ter se tornado celebridade graças à matéria anteriormente publicada aqui sobre ele.
A única alternativa que me restou foi fazer uma entrevista com o editor dessa gerigonça virtual. Isso mesmo, uma “autoentrevista”. E por que não? Se existem autorretratos e autobiografias que mal faz uma autoentrevista? Deixo vocês com essa “diliça”:

Interview

A Voz: Sem rodeios e pra começar com algumas informaçõezinhas básicas: nome, idade e profissão?

JPCM: João Paulo Costa de Medeiros. 20 anos. Universitário do curso de Administração e estagiário na área administrativa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ah, também sou editor de uma página virtual nas horas vagas, um blog, pra ser mais preciso.

A Voz: Pode nos dizer o endereço eletrônico e nome do blog?

JPCM: www.avozdecg.blogspot.com é o endereço eletrônico que abriga o blog A Voz de CG.

A Voz: Ruinzinho o nome hein!

JPCM: É que, assim... (interrompido)

A Voz: Bom, vamos nos ater a essa atividade então. Fala aí o que o levou a criar essa página e do que ela trata.

JPCM: Hum... Eu falei sobre isso recentemente numa matéria que conta a origem do blog. Bem, dentre outras coisas foi para mudar a uniformidade que existia entre as poucas páginas da cidade. Os canais de distribuição de notícias eram muito semelhantes, onde se lia uma matéria num endereço noutros se via a mesma coisa... (interrompido)

A Voz: Mas os outros blogs vão deixar de anunciar uma notícia importante só porque outro já o fez?

JPCM: Não, pelo contrário, é até bom noticiar também, assim a informação não fica monopolizada e chega ao leitor por diversos canais, mas que o faça com uma abordagem diferente então. Veja bem, quando eu falei que os canais de distribuição de notícias estavam muito semelhantes eu fui eufêmico para não dizer quase idênticos. Acontecia que estavam, pura e simplesmente, fazendo cópias e atribuindo crédito (ao menos isso) à fonte de onde eram retiradas as matérias. Com isso não havia a preocupação sequer com uma segunda apuração de fatos ou de dar, como falei, outra abordagem ao assunto. Como leitor eu tinha percebido isso assim como várias outras pessoas que me falavam da mesma coisa. Eu via essa situação como algo nocivo, o leitor tinha e estava desprovido ao mesmo tempo de opções. Foi pensando em mudar um pouco essa uniformidade que eu criei o A Voz de CG, que trata de assuntos diversos com uma abordagem diferente das que haviam. Ao invés de seguir uma linha jornalística mais austera e sisuda eu preferi trilhar caminhos mais “tortuosos”, adotando uma veia cômica sem graça, um sarcasmo característico e ironia peculiar, ou seja, fracasso total da página. [Risos] – só pra parecer uma daquelas entrevistas pra revista de fofoca.

A Voz: Caramba, você fala demais. Acho que o fracasso é pelo tamanho dos textos, isso sim. Só respostas curtas daqui pra frente.

JPCM: É que assim como nos meus textos eu me preocupo em... (interrompido)

A Voz: Eu disse respostas curtas.

JPCM: Tudo bem, vou tentar.

A Voz: Então, você não acha que esse modo “peculiar”, como diz, de ver e escrever sobre as coisas, usando sempre ironia e sarcasmo, o faz parecer arrogante e presunçoso?

JPCM: Não. Pode ser que aparente isso para alguns, mas não me acho melhor que os outros, na verdade eu me valho desses recursos para dar um ar mais despojado ao espaço. Embora tente sempre inserir uma piadinha no texto eu não consigo ser debochado o tempo todo e às vezes sinto tamanha indignação com as coisas que saem protestos em forma de texto também, mas não há como dissociar as coisas, esse é o meu jeito, eu debocho das coisas e transpareço isso na página obviamente. Eu acho um jeito muito nobre, inclusive, de escrever, como dizia o ator Peter Ustinov “A comédia é simplesmente uma divertida maneira de ser sério”.

 "Pode ser que aparente isso para alguns, 
mas não me acho melhor que os outros"

A Voz: Você acha que conseguiu mudar alguma coisa no meio virtual da cidade com esse jeito singular de escrever?

JPCM: Cara, pra ser sincero, deixando a modéstia de lado, mas sem querer parecer convencido, sim. Quem faz parte desse meio quer divulgar suas ideias para o maior número possível de pessoas e para isso precisa angariar leitores de alguma forma, é claro. Quando haviam poucos espaços as notícias e afins estavam altamente concentradas a eles, o leitor pensava “é esse ou esse”. Com o surgimento de novas páginas a pluralidade foi aumentando e quem quisesse continuar com um público razoável teria que inovar constantemente senão perderia uma boa parcela de leitores para os emergentes. Foi o caso do Caramuru Paiva, que é hoje o maior e mais atualizado blog da região, e Patrício que inovou e transformou seu domínio de blog em site, um ambiente bem mais parrudo. Com isso, eu posso dizer que influenciei sim de certo modo esse meio, pois no mínimo figurei entre os novos espaços que surgiram com outras propostas fazendo os já existentes repensarem seu modo de “blogar”.

A Voz: E ainda sobre seu modo debochado de escrever, ele já lhe trouxe problemas?

JPCM: Não, não.

A Voz: Mas ficamos sabendo que você angariou inimizades devido a algumas matérias publicadas, altercações com autoridades e tudo mais. Soubemos que chegou até a ofender leitores.

JPCM: Vocês da “imprensa” adoram subverter as coisas e incitar malquerenças. Nunca houve altercação com autoridade e não ofendi leitor nenhum. Bom, não desmerecidamente. A suposta altercação com autoridade foram divergências de opiniões com o vice-prefeito Caramuru Paiva, algo extremamente normal e suscetível de acontecer num espaço como esse. Mas sempre houve respeito no trato de um para com o outro, nada mais do que discussões salutares. Prova disso é a presença marcante e até bem comentada de vários textos meus em sua página. Não o conheço plenamente, mas na minha percepção Caramuru é um sujeito aparentemente muito conservador, onde não faria mal um pouco de injeção de novos conceitos, maduro o suficiente pra não ser abalado por qualquer meia dúzia de palavras e bastante respeitoso.

A Voz: E a ofensa a um leitor?

JPCM: Que ofensa, rapaz? Eu só mandei o cara ir à merda. Bom, de onde ela sai mais especificamente falando. É que assim, eu acho que tenho um ímã virtual de idiotas, pois vez ou outra chegam por aqui uns imbecis xingando a página, o texto e até a mim, como foi o caso de um retardado aí que eu mandei a uma região anatômica nada publicável. O camarada veio no meu território virtual só pra dizer que eu tinha dado uma definição imbecil sobre o carnaval, era falto de sabedoria e inteligência, e ainda por cima tinha a mente curta. Porra, ta certo que ele só falou a verdade, mas a verdade machuca, ainda mais dita em público no seu próprio recinto. Brincadeiras a parte, ninguém é obrigado a concordar com as sandices que escrevo, pelo contrário eu até incentivo o contrário, discussões enriquecem o espaço e eu gosto do feedback dos leitores, mas como canso de falar, faça-o engajando-se numa troca de opiniões civilizada, polida, desprovida de escárnio ou caráter ofensivo blá, blá, blá, não como o doente que passou por aqui e graças a Deus não voltou mais. Nesse sentido pelo menos eu já consegui um grande avanço inibindo os acefalônimos (anônimos sem cérebro) que tem medo de expressar sua opinião formalmente e se valem desse recurso ridículo para desmerecer o trabalho que eu e demais blogueiros desenvolvemos. 

"Porra, ta certo que ele só falou a verdade, mas a verdade machuca, 
ainda mais dita em público no seu próprio recinto."

A Voz: O seu meio está ficando cada vez mais concorrido, o que você acha disso?

JPCM: Ou, ou, olha essas perguntas aê, cara. Não há concorrência nenhuma pelo meu meio. Ninguém chega perto do meu meio não, brother.

A Voz: Quis dizer sobre os novos blog’s que estão surgindo.

JPCM: Ah, bom. Eu simplesmente acho ótimo. Antes haviam poucos espaços, hoje é CG isso, CG aquilo, até meu irmão, que não gosta nenhum pouco de ler criou um, com incentivo meu diga-se de passagem. Estou longe de achar que concorrência é algo prejudicial, pelo contrário, é um impulso para inovação, pois sem ela, ficaríamos sempre na zona de conforto, sempre naquela mesmice, agora, com novas “ameaças”, ou “inovadores” para não parecer inimigos, embora muitos se tratem dessa forma, é preciso estar constantemente atualizado para não perder os leitores.

A Voz: Mas seu blog é pouco atualizado e pouco visitado.

JPCM: Pouco atualizado é verdade, mas pouco visitado eu não acho. Para o tipo da página (assuntos abordados - tamanho dos textos) e quantidade de atualizações eu considero de bom tamanho o número de visitas. Meu blog é feito para um público diferente, é feito para um público que gosta de ler, ou seja, daí você deduz, para pouquíssimas pessoas, um grupo singular. Quando iniciei as atividades eu entrei com duas idéias. A primeira de publicar somente minhas palavras, uma ou duas vezes eu compartilhei textos de outro autor, somente. E a segunda, não preencher o espaço escrevendo futilidades, pode até parecer futilidade às vezes, mas há sempre uma mensagem profícua por trás da menor piada que escrevo. Adaptando um pensamento de Shakespeare, prefiro escrever para um homem inteligente do que para agradar uma horda de ignorantes. 

"...prefiro escrever para um homem inteligente 
do que para agradar uma horda de ignorantes. "

A Voz: Bom, nós acompanhamos sua página e... (interrompido)

JPCM: Sério?

A Voz: Não, é mentira. Brincadeira, nós acompanhamos sim e percebemos que você continua com seu humor ácido, mas voltado para coisas bem genéricas. Onde está aquele humor impregnado nas matérias que são feitas para cutucar a ferida dos problemas principalmente da região? Cansou, está com medo de fazer matérias desse tipo, ou não quer correr o risco de ofender alguém?

JPCM: Olha, realmente esmoreci um pouco nesse quesito, mas aos poucos estou construindo alguns textos, que em breve publicarei, que retomam esse sempre insatisfeito espírito de outrora. Mas não foi por medo, não preciso temer nada. Não escrevo sobre pessoas, exceto quando para enaltecê-las, escrever críticas sobre outra pessoa é perda de tempo, e ele é muito precioso para desperdiçá-lo assim. Eu escrevo sobre coisas e atitudes, obviamente uma ação vai estar atrelada a uma pessoa, e quando eu julgar ser ruim eu falo mesmo, mas alerto sempre para desassociarem pessoa e ação, porque levar para o lado pessoal os meus comentários é tolice.

A Voz: Quais os planos daqui pra frente para o blog?

JPCM: Ganhar muito dinheiro com ele, ou então esperar alguém descobrir essa geringonça e me convidar para receber uma fortuna escrevendo em outro endereço. Brincadeira, na verdade eu não tenho nenhuma grande pretensão para página, quero continuar escrevendo até quando tiver algo útil pra dizer, nem que seja pra mim mesmo, pois aqui é onde eu posso conversar sozinho, reforçar as minhas crenças e valores, analisar opiniões e livremente decidir compartilhar para quem interessar.

A Voz: Muito bem, mais alguma coisa para dizer, alguma mensagem para os blogueiros?

JPCM: Tenho sim, para todas as pessoas independente de serem ou não blogueiras. Façam com que suas vozes sejam ouvidas, sempre, não importa o meio, mas tenha sempre algo útil e benéfico pra dizer.

João Paulo C. de Medeiros,

Entrevista concedida ao blog A Voz de CG, Campo Grande 06 de Junho de 2011.