Definição de Blogueiro: Abominável-execrável-repugnante espécie parasita do ambiente virtual que se alimenta do tempo útili das pessoas, sugando cada precioso minuto que poderia ser usado de melhores formas fazendo-as ler inutilidades para se manter vivo. A blogaria é a pior classe que pode existir no meio literário (e demais também), tome em comparação, por exemplo, o jornalista, que acha que é um escritor (tipo romancista, cronista, etc), já o blogueiro acha que é jornalista, escreve um textinho sobre os problemas sociais das massas (que não passa dos componentes da sua família) e já se refere a si mesmo como editor e ao espaço do blog como imprensa, usando jargões como artigo, matéria, etc. Tem coisa pior?
Introduction
Todos que me conhecem sabem que nunca fui afeito ao nhã nhã nhã de datas comemorativas, sobretudo quando dizem respeito a datas natalícias. Mas não pude me conter e deixar passar em branco o primeiro aniversário da minha “prole virtual” (essa expressão me lembra o tomagoshi). Graças a isso fui compelido a fazer algo especial, ou no mínimo diferente do que já fiz por aqui, mesmo com todo esse superatraso (o negócio foi em Abril, retardado). Então é com muito prazer que vos apresento a primeira entrevista realizada pelo espaço.
Para esse feito inédito por aqui usei de todos os meios, inclusive vender o próprio corpo para arrecadar fundos e lhes trazer um convidado ilustre, uma pessoa insigne, um egrégio político, um herói nacional ou qualquer outro indivíduo que carregue em si o status de importância do qual valha a pena ler sobre seus comentários. Não foi possível, comprei dois salgados e um copo de suco com o dinheiro que apurei. Não consegui sequer, mesmo com toda ajuda prestada, uma entrevista com Valdecir, que agora anda muito ocupado planejando detalhes de sua biografia que será escrita por um jornalista famoso e aproveitando seu momento de fama ganhando rios de dinheiro depois de ter se tornado celebridade graças à matéria anteriormente publicada aqui sobre ele.
A única alternativa que me restou foi fazer uma entrevista com o editor dessa gerigonça virtual. Isso mesmo, uma “autoentrevista”. E por que não? Se existem autorretratos e autobiografias que mal faz uma autoentrevista? Deixo vocês com essa “diliça”:
Interview
A Voz: Sem rodeios e pra começar com algumas informaçõezinhas básicas: nome, idade e profissão?
JPCM: João Paulo Costa de Medeiros. 20 anos. Universitário do curso de Administração e estagiário na área administrativa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ah, também sou editor de uma página virtual nas horas vagas, um blog, pra ser mais preciso.
A Voz: Pode nos dizer o endereço eletrônico e nome do blog?
A Voz: Ruinzinho o nome hein!
JPCM: É que, assim... (interrompido)
A Voz: Bom, vamos nos ater a essa atividade então. Fala aí o que o levou a criar essa página e do que ela trata.
JPCM: Hum... Eu falei sobre isso recentemente numa matéria que conta a origem do blog. Bem, dentre outras coisas foi para mudar a uniformidade que existia entre as poucas páginas da cidade. Os canais de distribuição de notícias eram muito semelhantes, onde se lia uma matéria num endereço noutros se via a mesma coisa... (interrompido)
A Voz: Mas os outros blogs vão deixar de anunciar uma notícia importante só porque outro já o fez?
JPCM: Não, pelo contrário, é até bom noticiar também, assim a informação não fica monopolizada e chega ao leitor por diversos canais, mas que o faça com uma abordagem diferente então. Veja bem, quando eu falei que os canais de distribuição de notícias estavam muito semelhantes eu fui eufêmico para não dizer quase idênticos. Acontecia que estavam, pura e simplesmente, fazendo cópias e atribuindo crédito (ao menos isso) à fonte de onde eram retiradas as matérias. Com isso não havia a preocupação sequer com uma segunda apuração de fatos ou de dar, como falei, outra abordagem ao assunto. Como leitor eu tinha percebido isso assim como várias outras pessoas que me falavam da mesma coisa. Eu via essa situação como algo nocivo, o leitor tinha e estava desprovido ao mesmo tempo de opções. Foi pensando em mudar um pouco essa uniformidade que eu criei o A Voz de CG, que trata de assuntos diversos com uma abordagem diferente das que haviam. Ao invés de seguir uma linha jornalística mais austera e sisuda eu preferi trilhar caminhos mais “tortuosos”, adotando uma veia cômica sem graça, um sarcasmo característico e ironia peculiar, ou seja, fracasso total da página. [Risos] – só pra parecer uma daquelas entrevistas pra revista de fofoca.
A Voz: Caramba, você fala demais. Acho que o fracasso é pelo tamanho dos textos, isso sim. Só respostas curtas daqui pra frente.
JPCM: É que assim como nos meus textos eu me preocupo em... (interrompido)
A Voz: Eu disse respostas curtas.
JPCM: Tudo bem, vou tentar.
A Voz: Então, você não acha que esse modo “peculiar”, como diz, de ver e escrever sobre as coisas, usando sempre ironia e sarcasmo, o faz parecer arrogante e presunçoso?
JPCM: Não. Pode ser que aparente isso para alguns, mas não me acho melhor que os outros, na verdade eu me valho desses recursos para dar um ar mais despojado ao espaço. Embora tente sempre inserir uma piadinha no texto eu não consigo ser debochado o tempo todo e às vezes sinto tamanha indignação com as coisas que saem protestos em forma de texto também, mas não há como dissociar as coisas, esse é o meu jeito, eu debocho das coisas e transpareço isso na página obviamente. Eu acho um jeito muito nobre, inclusive, de escrever, como dizia o ator Peter Ustinov “A comédia é simplesmente uma divertida maneira de ser sério”.
"Pode ser que aparente isso para alguns,
mas não me acho melhor que os outros"
A Voz: Você acha que conseguiu mudar alguma coisa no meio virtual da cidade com esse jeito singular de escrever?
JPCM: Cara, pra ser sincero, deixando a modéstia de lado, mas sem querer parecer convencido, sim. Quem faz parte desse meio quer divulgar suas ideias para o maior número possível de pessoas e para isso precisa angariar leitores de alguma forma, é claro. Quando haviam poucos espaços as notícias e afins estavam altamente concentradas a eles, o leitor pensava “é esse ou esse”. Com o surgimento de novas páginas a pluralidade foi aumentando e quem quisesse continuar com um público razoável teria que inovar constantemente senão perderia uma boa parcela de leitores para os emergentes. Foi o caso do Caramuru Paiva, que é hoje o maior e mais atualizado blog da região, e Patrício que inovou e transformou seu domínio de blog em site, um ambiente bem mais parrudo. Com isso, eu posso dizer que influenciei sim de certo modo esse meio, pois no mínimo figurei entre os novos espaços que surgiram com outras propostas fazendo os já existentes repensarem seu modo de “blogar”.
A Voz: E ainda sobre seu modo debochado de escrever, ele já lhe trouxe problemas?
JPCM: Não, não.
A Voz: Mas ficamos sabendo que você angariou inimizades devido a algumas matérias publicadas, altercações com autoridades e tudo mais. Soubemos que chegou até a ofender leitores.
JPCM: Vocês da “imprensa” adoram subverter as coisas e incitar malquerenças. Nunca houve altercação com autoridade e não ofendi leitor nenhum. Bom, não desmerecidamente. A suposta altercação com autoridade foram divergências de opiniões com o vice-prefeito Caramuru Paiva, algo extremamente normal e suscetível de acontecer num espaço como esse. Mas sempre houve respeito no trato de um para com o outro, nada mais do que discussões salutares. Prova disso é a presença marcante e até bem comentada de vários textos meus em sua página. Não o conheço plenamente, mas na minha percepção Caramuru é um sujeito aparentemente muito conservador, onde não faria mal um pouco de injeção de novos conceitos, maduro o suficiente pra não ser abalado por qualquer meia dúzia de palavras e bastante respeitoso.
A Voz: E a ofensa a um leitor?
JPCM: Que ofensa, rapaz? Eu só mandei o cara ir à merda. Bom, de onde ela sai mais especificamente falando. É que assim, eu acho que tenho um ímã virtual de idiotas, pois vez ou outra chegam por aqui uns imbecis xingando a página, o texto e até a mim, como foi o caso de um retardado aí que eu mandei a uma região anatômica nada publicável. O camarada veio no meu território virtual só pra dizer que eu tinha dado uma definição imbecil sobre o carnaval, era falto de sabedoria e inteligência, e ainda por cima tinha a mente curta. Porra, ta certo que ele só falou a verdade, mas a verdade machuca, ainda mais dita em público no seu próprio recinto. Brincadeiras a parte, ninguém é obrigado a concordar com as sandices que escrevo, pelo contrário eu até incentivo o contrário, discussões enriquecem o espaço e eu gosto do feedback dos leitores, mas como canso de falar, faça-o engajando-se numa troca de opiniões civilizada, polida, desprovida de escárnio ou caráter ofensivo blá, blá, blá, não como o doente que passou por aqui e graças a Deus não voltou mais. Nesse sentido pelo menos eu já consegui um grande avanço inibindo os acefalônimos (anônimos sem cérebro) que tem medo de expressar sua opinião formalmente e se valem desse recurso ridículo para desmerecer o trabalho que eu e demais blogueiros desenvolvemos.
"Porra, ta certo que ele só falou a verdade, mas a verdade machuca,
ainda mais dita em público no seu próprio recinto."
A Voz: O seu meio está ficando cada vez mais concorrido, o que você acha disso?
JPCM: Ou, ou, olha essas perguntas aê, cara. Não há concorrência nenhuma pelo meu meio. Ninguém chega perto do meu meio não, brother.
A Voz: Quis dizer sobre os novos blog’s que estão surgindo.
JPCM: Ah, bom. Eu simplesmente acho ótimo. Antes haviam poucos espaços, hoje é CG isso, CG aquilo, até meu irmão, que não gosta nenhum pouco de ler criou um, com incentivo meu diga-se de passagem. Estou longe de achar que concorrência é algo prejudicial, pelo contrário, é um impulso para inovação, pois sem ela, ficaríamos sempre na zona de conforto, sempre naquela mesmice, agora, com novas “ameaças”, ou “inovadores” para não parecer inimigos, embora muitos se tratem dessa forma, é preciso estar constantemente atualizado para não perder os leitores.
A Voz: Mas seu blog é pouco atualizado e pouco visitado.
JPCM: Pouco atualizado é verdade, mas pouco visitado eu não acho. Para o tipo da página (assuntos abordados - tamanho dos textos) e quantidade de atualizações eu considero de bom tamanho o número de visitas. Meu blog é feito para um público diferente, é feito para um público que gosta de ler, ou seja, daí você deduz, para pouquíssimas pessoas, um grupo singular. Quando iniciei as atividades eu entrei com duas idéias. A primeira de publicar somente minhas palavras, uma ou duas vezes eu compartilhei textos de outro autor, somente. E a segunda, não preencher o espaço escrevendo futilidades, pode até parecer futilidade às vezes, mas há sempre uma mensagem profícua por trás da menor piada que escrevo. Adaptando um pensamento de Shakespeare, prefiro escrever para um homem inteligente do que para agradar uma horda de ignorantes.
"...prefiro escrever para um homem inteligente
do que para agradar uma horda de ignorantes. "
A Voz: Bom, nós acompanhamos sua página e... (interrompido)
JPCM: Sério?
A Voz: Não, é mentira. Brincadeira, nós acompanhamos sim e percebemos que você continua com seu humor ácido, mas voltado para coisas bem genéricas. Onde está aquele humor impregnado nas matérias que são feitas para cutucar a ferida dos problemas principalmente da região? Cansou, está com medo de fazer matérias desse tipo, ou não quer correr o risco de ofender alguém?
JPCM: Olha, realmente esmoreci um pouco nesse quesito, mas aos poucos estou construindo alguns textos, que em breve publicarei, que retomam esse sempre insatisfeito espírito de outrora. Mas não foi por medo, não preciso temer nada. Não escrevo sobre pessoas, exceto quando para enaltecê-las, escrever críticas sobre outra pessoa é perda de tempo, e ele é muito precioso para desperdiçá-lo assim. Eu escrevo sobre coisas e atitudes, obviamente uma ação vai estar atrelada a uma pessoa, e quando eu julgar ser ruim eu falo mesmo, mas alerto sempre para desassociarem pessoa e ação, porque levar para o lado pessoal os meus comentários é tolice.
A Voz: Quais os planos daqui pra frente para o blog?
JPCM: Ganhar muito dinheiro com ele, ou então esperar alguém descobrir essa geringonça e me convidar para receber uma fortuna escrevendo em outro endereço. Brincadeira, na verdade eu não tenho nenhuma grande pretensão para página, quero continuar escrevendo até quando tiver algo útil pra dizer, nem que seja pra mim mesmo, pois aqui é onde eu posso conversar sozinho, reforçar as minhas crenças e valores, analisar opiniões e livremente decidir compartilhar para quem interessar.
A Voz: Muito bem, mais alguma coisa para dizer, alguma mensagem para os blogueiros?
JPCM: Tenho sim, para todas as pessoas independente de serem ou não blogueiras. Façam com que suas vozes sejam ouvidas, sempre, não importa o meio, mas tenha sempre algo útil e benéfico pra dizer.
João Paulo C. de Medeiros,
Entrevista concedida ao blog A Voz de CG, Campo Grande 06 de Junho de 2011.